Segundo a Directora do Escritório Regional da UNIFEM para África de Oeste, Cecile Mukurubuga, é mandato de todas as agências das Nações Unidas trabalharem na questão de género, tanto é, que face à perspectiva do início da implementação do «One UN Programme», elegeram género como sendo um eixo transversal,
É assim, nesse âmbito que a UNIFEM promoveu esse encontro para delinearem em conjunto com o ICIEG e seus parceiros, as linhas orientadoras e as prioridades programáticas de género para elaboração de um Plano de Trabalho para a UNIFEM em Cabo Verde.
Nesse encontro, cada organização presente teve a oportunidade de fazer uma pequena apresentação das áreas das suas actuação, o seu público-alvo e as linhas de intervenção, de modo a ver se existe ou não lacunas que possam ser superadas.
Sendo parceiros do ICIEG, essas ONG´s têm trabalhado, primando sempre para a questão do género, tanto que, os seus público-alvos abrangem homens, mulheres e jovens, mas a maioria tem actuado com as mulheres, principalmente as chefes de famílias que são as mais vulneráveis.
De acordo com as apresentação de cada uma das organizações, notou-se que há uma variação nas áreas de actuações, sendo para algumas as suas intervenções tem sido no domínio da saúde (mutualidades da saúde), promoção da família, a educação (monitorização de jardins e apoio no transporte escolar), sensibilização e mobilização social, âmbito jurídico (atendimento jurídico e elaboração de leis), económico (formação profissional, micro-crédito, empreendedorismo), violência doméstica. Enquanto outros, abrange as áreas de agricultura, pecuária, habitação social, participação social, entre outras áreas.
Segundo Cecile Mukurubuga, na sequência da análise da questão sobre género durante esses quatro anos delinearam três domínios de intervenção que são os seguintes: 1º-Direitos e Segurança das Mulheres; 2º-Luta contra VIH/Sida e Violência Baseada no Género; 3º-Participação das mulheres nas instâncias políticas (democráticas).
Também, dentro destes domínios ela salientou que deveria trabalhar com base em três níveis: o primeiro nível que diz respeito a política, no qual defende que as questões das mulheres e género devem ser tidas nas políticas. O segundo é Institucional, ou seja, a abordagem género deve ser integrada nas várias instituições e o terceiro refere ao nível comunitário, onde pode-se trabalhar com várias associações comunitárias, igreja, de modo a atingir a igualdade.
As ONG´s, por sua vez, levantaram algumas preocupações, no que toca a transição do país para País de Rendimento Médio (PRM), o orçamento, o financiamento e apoio, que muitas vezes tem sido um empecilho.
O processo de desenvolvimento de Cabo Verde tem sido marcado por uma trajectória ascendente, caracterizada por ganhos significativos em diversos indicadores, no domínio económico e social, entre outros.
Contudo, persistem importantes vulnerabilidades, associadas à falta de recursos do país, sua dimensão e insularidade, que dificultam a dinâmica do seu desenvolvimento. Para além disso, Cabo Verde enfrenta actualmente novos desafios, decorrentes em particular da sua recente transição para País de Rendimento Médio (PRM), do acesso à Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Parceria Especial com a União Europeia.
De acordo com as recomendações da Assembleia-geral das Nações Unidas, os países saídos da lista dos PMA devem adoptar, em colaboração com os seus parceiros, um «período de transição», para garantir que a sua graduação não comprometa o seu percurso de desenvolvimento.
A resposta do SNU em Cabo Verde nos últimos anos tem acompanhado o processo de reforma das Nações Unidas, iniciado em 1997. Cabo Verde foi o primeiro Escritório Comum dos Fundos e Programas das Nações Unidas de Cabo Verde (conhecido geralmente como “Joint Office "), com (i) um representante único para o PNUD, PAM, UNFPA e UNICEF, que é igualmente Coordenador Residente das Nações Unidas, (ii) um Programa Comum preparado com base no Plano-Quadro de Assistência das Nações Unidas ao Desenvolvimento (UNDAF) e (iii) um Escritório Comum para PNUD, PAM, UNFPA e UNICEF, com o mesmo sistema de gestão, um único orçamento, e uma única estrutura organizacional e de pessoal.
Em Novembro de 2006, Cabo Verde passou a ser um dos oito países piloto implementando o “Delivering as One”, que visa um melhor posicionamento da ajuda ao Governo, tendo em conta as suas prioridades e desafios de desenvolvimento, conjugado com uma maior coerência, sinergia e complementaridade da resposta das agências do SNU.
Assim, um documento de programação para o período 2008-2010 foi assinado entre o Governo e SNU a 1 de Julho de 2008, o «One UN Programme», implicando mais de 18 agências do SNU, residentes e não residentes em Cabo Verde.
Neste contexto, a intervenção da UNIFEM em Cabo Verde, uma das agências não residentes cuja expertise constitui uma importante mais valia para o Governo, vê-se reforçada.
Assim sendo, face a implementação do «One UN Programme», a UNIFEM pretende rever com o ICIEG e seus parceiros, as prioridades programáticas de género que, no âmbito do seu mandato e áreas de actuação prioritárias poderá apoiar em Cabo Verde.
