A criação do Instituto da Condição Feminina (ICF), que actualmente é designado de Instituto Cabo-verdiano para Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), remonta os anos 90, época em que se fazia sentir no país (Governo) a necessidade de um mecanismo institucional que tratasse de políticas públicas relativas à problemática da mulher, já que nessa altura, a Organização das Mulheres de Cabo-verde (OMCV) que desempenhava esse papel desde a independência, em 1975, passou a ser uma Organização Não Governamental (ONGs).
No entanto, devido a essa lacuna, o Governo cria, então, em 1994, o Instituto da Condição Feminina, um mecanismo governamental que se encarrega do desenho e seguimento das políticas para a igualdade e equidade entre homens e mulheres.
Antes da sua criação, constitui-se uma comissão instaladora que funcionou de 1993 até 1994, e cujo o principal trabalho consistiu no levantamento das discriminações legais contra as mulheres e elaboração das primeiras propostas de alteração no direito da família e legislação de trabalho.
O Instituto da Condição Feminina, no entanto, foi institucionalizado a 10 de Janeiro de 1994, pelo Decreto-Lei nº 1/94, tendo o seu estatuto revogado e aprovado nessa mesma data, através da portaria nº 25/95 de 23 de Maio, conforme publicado no Boletim Oficial, I Série, nº 27, em Agosto de 2003, que estabeleceu ainda os seus objectivos, bem como as competência, composição e entre outros.
Dentro dos objectivos que nortearam a criação do Instituto e das atribuições estatutárias que lhe foram encarregues, as actividades pautaram em primeiro lugar pela criação das condições mínimas de funcionamento e ao mesmo tempo desenvolver acções concretas junto do Governo e dos parceiros nacionais e internacionais para a introdução da problemática da igualdade entre os sexos e dos direitos das mulheres nos planos, programas e projectos de desenvolvimento.
No primeiro ano, após o inicio do funcionamento, a Presidente na altura e o staff da recém criada instituição tiveram a preocupação de dar a continuidade à instalação do mesmo. Dotando-o dos instrumentos humanos e matérias mínimos, como ainda, preparar a participação de Cabo Verde na IV Conferência Mundial sobre Mulheres, realizado em Beijing (China) de 4 a 15 de Setembro de 1995.
A participação do país, nessa conferência foi crucial, influenciando até hoje as acções do instituto, que apostou durante os primeiros anos, na informação e sensibilização da sociedade cabo-verdiana e foi também ocasião para uma ampla difusão sobre problemática igualdade de género no país.
O Instituto, no início começou a funcionar com quatro elementos, mas, entretanto, entre 1995 a 1996, foram recrutados mais funcionários, entre os quais, pessoal técnico, administrativo e pessoal auxiliar, nomeadamente: um contabilista, um economista, uma técnica superior em Ciências Sociais, um técnico médio para área de documentação, dois auxiliar administrativos, um condutor e um ajudante de serviços gerais.
Ao longo dos anos 90, o instituto contou com várias parcerias e financiamentos de organismos internacionais, nomeadamente: UNFPA, PNUD, USAID, OMS, OIT/EMANO, Embaixada do Países Baixos e Cooperação Francesa, bem como, de outros, que embora, de forma menos expressivo, tais como a UNESCO e a Embaixada da República Popular da China em Cabo Verde.
Também, através da cooperação com a UNICEF foram adquiridos alguns materiais e equipamentos para assistência técnica e instalação do instituto, que funcionou inicialmente, no actual espaços do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Atendendo ainda, ao cumprimento de uma das atribuições do instituto, que é criar espaços de dialogo, concertação com associações e organizações da sociedade civil representantes da mulheres, o instituto estabeleceu protocolos e subcontratos de execução de projectos, nomeadamente com a OMCV, a Morabi, AMJ, RMAPCV, Atelier Mar, AMEPCV, ADCF e a REDEMEC.
Actualmente, conta com o financiamento de dois grandes parceiros que são o Banco Mundial e as Nações Unidas.
Em Março de 2006, o Primeiro-ministro, José Maria Neves anuncia durante uma visita efectuada ao Instituto, a mudança de nome do mesmo, garantindo, igualmente, o engajamento ao mais alto nível na questão de género, dando todo o apoio à instituição.
O Instituto Condição Feminina passa então a ser designado de Instituto Cabo-verdiano para Igualdade de Género (ICIEG), a 10 de Julho de 2006, publicado no Boletim Oficial, I Série, Nº 20.
Vale destacar que nesses doze anos de percurso da sua história, o instituto sempre participou em várias conferências internacionais, que de uma maneira ou outra, serviram de orientação para a realização das suas acções.
